A “rota Virtual constrói 2020+” chega a Murcia com debate sobre as vantagens da construção sustentável na Comunidade Autônoma

Os Fundos Europeus Next Generation oferecerão oportunidades e impulsionarão a transição para novos processos como a digitalização e a entrada do setor na economia circular

A “rota Virtual constrói 2020+” chegou a Múrcia com a celebração do webinar “os desafios da construção sustentável em Múrcia”, no qual participaram de um interessante debate: Antonio Trigueros Romero, diretor do Centro Tecnológico da construção da região de Múrcia; Alejandro Zamora López-Fuensalida, Secretário Geral da Federação Regional de empresários da construção de Múrcia (FRECOM); José Pablo Delgado Marín, responsável do departamento de energia de Eurovértice Consultores; e David Merino Tena, Diretor de operações de construções urdecon.

Por parte da Fundação Laboral da construção intervieram Luis Ramón Fernández Mula, presidente da Fundação Laboral de Múrcia (FRECOM); Diego José González Martínez, coordenador dos Centros de formação da Fundação Laboral de Múrcia; e Esther Rodríguez Arévalo, responsável por constrói 2020+ , um projeto que se enquadra na iniciativa Europeia Build Up Skills, coordenada em Espanha desde 2011 pela Fundação Laboral da construção.

A rota Virtual constrói 2020 + é uma campanha de sensibilização e difusão para apoiar a transição da construção para um setor mais sustentável, que percorrerá interativamente 16 comunidades autônomas de Espanha, de 19 de outubro a 14 de Dezembro, com informações e eventos específicos de cada região sobre eficiência energética, energias renováveis e edifícios de consumo quase nulo.

Luis Ramón Fernández Mula, presidente da Fundação Laboral de Múrcia (FRECOM), deu as boas-vindas à jornada destacando os objetivos da rota, com a qual “queremos colocar em valor, entre outros aspectos, a importância de contar com trabalhadores formados e conscientizados no papel que tem seu trabalho no comportamento energético dos edifícios”. Além disso, salientou que “a economia circular é um movimento absolutamente imparável que nos chega da União Europeia” e que “o sucesso e impacto dos fundos Next Generation depende em grande parte de que as administrações saibam geri-los em forma e prazo”.

Por sua vez, Esther Rodríguez Arévalo, responsável pelo projeto europeu constrói 2020+, explicou que os esforços desta iniciativa Europeia estão orientados para a formação e promoção das vantagens da eficiência energética, porque “uma melhor execução da obra implica uma maior poupança”. O projeto oferece formação específica Complementar em temas de eficiência energética A trabalhadores e trabalhadoras do setor. Ligado a esta formação está o distintivo eco, para dar valor acrescentado aos conhecimentos adquiridos. Rodríguez Arévalo destacou a importância deste projeto e da rota Virtual constrói 2020+, tendo em conta que se estima que, na Europa, em 2025, serão necessários cerca de um milhão de novos trabalhadores para satisfazer a demanda de edifícios verdes e energeticamente eficientes. Rodríguez Arévalo recordou que “na web se podem consultar os cursos e ajudas disponíveis em Murcia dentro desta rota”.

Posteriormente, deu-se lugar à mesa moderada por Diego José González Martínez, coordenador dos Centros de formação da Fundação Laboral de Murcia, que abriu o debate refletindo sobre quais são os desafios que colocam à frente os chamados “empregos verdes” a profissionais, empresas e agentes envolvidos, e quais podem ser as vias de atuação para cobrir as necessidades laborais.

Antonio Trigueros Romero, diretor do Centro Tecnológico da construção da região de Múrcia, disse que “nesta nova abordagem ‘verde’ em que estamos ainda falta muita conscientização “que impulsione e chame a formação de novos profissionais neste setor, “porque tecnologia, pesquisa e produtos já existem”.

Alejandro Zamora López-Fuensalida, Secretário Geral da Federação Regional de empresários da construção de Múrcia (FRECOM), coincidiu neste conceito acrescentando que, além de conscientização, “é necessário que se produza um equilíbrio entre preço, custo, necessidade e capacidade das empresas e particulares para implementar as atuações”. A este respeito, ele comentou:”as empresas estão preparadas, mas estão encontrando o grave problema de falta de mão-de-obra, além de matérias-primas”. Como dado, observou que, a região de Múrcia, atualmente conta com 50.000 profissionais potenciais no setor, tendo perdido 50% de potenciais trabalhadores desde o ano 2008.

Para o Secretário-Geral da FRECOM, os cursos que a rota Virtual constrói 2020 + podem ser um bom ponto de partida para formar novos profissionais, que dêem resposta à autêntica “revolução verde” que o setor está vivendo. Ele explicou que”as empresas querem aumentar seus modelos, mas não encontram pessoal”. Para enfrentar este “Desafio de dimensões grandíssimas”, a FRECOM está trabalhando em”uma estratégia de emprego e Formação para ajudar as empresas da região de Múrcia a encontrar profissionais, e que os melhores profissionais encontrem as melhores empresas para trabalhar”. E ele disse que “as empresas que carregam o sobrenome ‘sustentável’ estarão em melhor posição para acessar subsídios, ajudas, etc.”.

Por sua vez, José Pablo Delgado Marín, responsável pelo departamento de energia da Eurovértice Consultores, ressaltou que “há um árduo trabalho de todos os agentes envolvidos e uma necessidade de melhorar o capital humano, que é um condicionante para receber ajudas para reabilitação de nossos edifícios”.

David Merino Tena, Diretor de operações de construção da Urdecon, comentou: “há escassez de pessoal na construção que vem rastejando desde a crise do tijolo, e ainda mais, de pessoal qualificado em construção sustentável. Embora se Vá cobrindo, onde mais dificuldades encontramos é na execução dos projetos”. E acrescentou: “Estamos diante de um desafio: mudar a mentalidade de nossos gerentes intermediários e técnicos envolvidos, e lançamos em falta novos funcionários, jovens que se juntem ao setor”.

Os fundos europeus, uma oportunidade para Murcia

Sobre a oportunidade que pode representar para a região a chegada dos Fundos Europeus Next Generation, Merino apontou: “espero que os fundos ofereçam novas oportunidades e impulsionem a transição para entrar em novos processos como a digitalização e a entrada na economia circular”.

Por sua vez, Antonio Trigueros lembrou que faltam ainda conhecer os mecanismos de execução dos fundos e que nos encontramos diante de uma mudança de mentalidade: “os fundos vão chegar e serão bem-vindos, mas o setor tem que continuar andando e estar pronto para tirar o máximo proveito deles e, para isso, é necessária uma mudança de mentalidade”.

José Pablo Delgado esclareceu que o plano europeu implica uma ” transformação “e os fundos, sem dúvida, podem favorecer esta mudança:”que tenhamos perdido metade da massa laboral em construção é uma oportunidade para formá-la e fazer com que o setor avance para a circularidade”. Além disso, destacou a grande oportunidade que tem a região de Múrcia, por contar com a estratégia de Arquitetura e Construção Sustentável da região de Múrcia (EACS), que conta com um capítulo ao capital humano, pelo que “isto já não é algo futurível, mas faz parte do nosso presente”.

Por outro lado, Delgado incitou que, “neste momento, já temos na região de Múrcia um Programa para a reabilitação de edifícios para o setor residencial, que foi lançado em 5 de outubro; e contamos também com o Programa de ajudas para a Reabilitação Energética de edifícios (PREE) e o Programa de Impulso à reabilitação de edifícios Públicos (PIREB), e as ajudas para renováveis, que se poderão solicitar a partir do dia 3 de novembro”.

Alejandro Zamora afirmou categoricamente que os fundos vão afetar a transformação do setor, mas reconheceu que o alcance será “muito modesto”, por isso serão necessários anos: “para dar um exemplo, no setor em 2008 quase 30% da nossa população ocupada não tinha qualificação, hoje é 10%. Se todos nós concentrarmos nossos esforços em direção a essa transformação, ela chegará ao fim. Como setor, devemos estar preparados para ela”.

Zamora também compartilhou com os participantes outro dos projetos que, juntamente com a estratégia de emprego e formação, estão abordando a partir de FRECOM:”solicitamos ao aconselhamento para nos constituirmos em escritório de reabilitação para facilitar e impulsionar esta atividade a nível de bairros, edifícios e moradias”.

Antonio Trigueros expôs que, para avançar nessa transformação, “o problema não é de tecnologia, que está aí, mas de normativa, que é muito férrea, e de conscientização e de custos, inclusive de transporte”. Nessa mesma linha se manifestou David Merino, insistindo nos obstáculos normativos com que muitas vezes se encontram para poder avançar na economia circular: “é interessante que, neste ponto, avancemos de maneira nacional”, acrescentou.

Qualificação e profissionalização

Sobre a necessidade de mão-de-obra qualificada para cobrir as necessidades atuais e futuras, para Alejandro Zamora “abre-se uma grandíssima oportunidade para os jovens que, dentro do setor, podem desenvolver uma carreira profissional completa, ir progredindo com formação; o setor da construção hoje está se transformando e conta com um convênio laboral que é a inveja de outros setores em muitos aspectos”, incitou o Secretário-Geral da Federação Regional de empresários da construção de Múrcia.

José Pablo Delgado, disse que é preciso “aproveitar a oportunidade para formar o capital humano e também para industrializar o setor”.

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